Mulher transexual na política de Ouricuri: quebrando o silêncio!

Elas estão cansadas de serem silenciadas, a exemplo do Brasil, o município de Ouricuri terá pela primeira vez na sua história uma pré-candidatura de uma Mulher Transexual, Abelha Rainha, como é conhecida carinhosamente pelos ouricurienses. Com pautas como educação, saúde, emprego, juventude e cultura, elas querem mais: o fim do genocídio da população trans e representatividade. Para Abelha Rainha ela deixa claro: “ser a primeira candidata trans ao Legislativo é um misto de alegria e de tristeza”. “Eu me sinto muito feliz, porque é uma vitória do movimento LGBT, ao mesmo tempo, me sinto muito triste porque é uma derrota da democracia. Se eu sou hoje a primeira transexual representando minha classe a se candidatar a Câmara Municipal, eu questiono: onde estavam esses corpos LGBT na história do município? O fato de eu ser a primeira carrega em si uma derrota da democracia, pois mostra que nunca se teve democracia plena, já que alguns corpos foram apagados e rasurados da esfera pública”, Abelha ainda ressalta,

“A sociedade que a gente vive hoje é uma sociedade transfóbica e isso implica em lugares de privilégios. São lugares que pessoas trans não são esperadas. Não é só uma falta de conhecimento ou de experiência das próprias candidaturas LGBT, mas também é transfobia. As estruturas partidárias ainda têm que aprender a conviver com pessoas LGBT. Ocupar esses espaços é mexer com essas estruturas, para que elas percebam a nossa existência. Esse momento é fruto do movimento trans. Eu represento como indivíduo um momento dessa história. Nós avançamos e entendemos, cada vez mais, que o espaço político também é nosso espaço”, disse.

Abelha Rainha é filiada ao PSDB do prefeito Ricardo Ramos e pretende disputar pela primeira vez uma das 15 cadeiras da Casa Legislativa Rodrigo Castor.