Somente novas ideias podem recuperar o combalido futebol pernambucano

Foi com um grande espírito de luta, e a necessidade de ganhar para manter o projeto do técnico Tite, que o Brasil se empurrou para o título da Copa América este ano. Em um tour por quase todos os grandes centros do país, a seleção buscou o apoio máximo da torcida de casa –  algo que não acontecia há tempos, considerando a traumática experiência da Copa do Mundo de 2014 e a opção da Confederação Brasileira de Futebol de realizar cada vez mais partidas fora do território nacional bem antes do megaevento de cinco anos atrás.

Os jogadores que compuseram o elenco vencedor da Copa vieram de diversas partes do Brasil. Mesmo que a representação de todos os estados da federação seja algo impossível – afinal, somos 27 estados e no time cabem apenas 23 jogadores –, a diversidade alcançada foi bem melhor do que se havia nos tempos de “seleções estaduais”, na maioria das vezes saindo do circuito composto por Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, fazendo dupla função a nível nacional.

Do Ceará, veio Everton “Cebolinha”. O jogador do Grêmio, que chegou na seleção de forma até meio desacreditada por não atuar no grande palco do futebol mundial – a Europa –, acabou se sagrando artilheiro do torneio em conjunto com o veteraníssimo centroavante peruano, Paolo Guerrero, que joga no rival do seu time, o Internacional. Também temos no grupo o alagoano Roberto Firmino, astro do Liverpool que teve passagem durante os tempos de juvenil no CRB, grande clube da sua cidade natal, Maceió.

Fonte: Pixels

Mas uma marcada ausência, desde os tempos da Copa do Mundo de 2014, é a de jogadores pernambucanos. Algo explicado em boa parte pela crise que vivem os clubes do estado. Ainda que casas de apostas nas quais é possível que se aposte com as melhores cotações reflitam a grande força de times como Sport e Náutico dentro da Série B e da Série C, respectivamente, ali não é lugar que deve ser ocupado por times dessa dimensão no Nordeste e no Brasil.

Foram problemas gerados por questões internas e externas que colocaram não só Sport e Náutico mas também o Santa Cruz em uma posição bem diferente daquela de alguns anos atrás. Afinal, encontrávamos o Santa na Série A em 2016; além do Sport, que durou no primeiro escalão entre 2014 e 2018, e do Náutico, que subiu em 2011 e caiu em 2013. Para lembrarmos da última vez em que os três times estavam na Série A, precisamos voltar para a década de 1990, mais especificamente ao ano de 1993, quando vitórias ainda valiam 2 pontos e o campeão era definido no “mata-mata”, e não nos pontos corridos.

Infelizmente, tais tempos estão bem distantes não só dos times de Pernambuco, mas também do restante do Nordeste. Mesmo com o esforço recente de dar um mínimo de igualdade às cotas de televisão, os times da Série A, que incluem em sua grande parte clubes baseados no Sudeste e no Sul, têm aumentado – e muito – a distância financeira entre si. Mas, principalmente, é o vão entre Série A e a Série B que fica cada vez maior.

Não ajuda também o fato de o futebol regional ter perdido cada vez mais apoio e interesse enquanto o efeito parece ser menor ou até o contrário em estados mais ao sul do país. Dali, saem grande parte dos aspirantes à promoção da Série B, em lugares antes ocupados por times nordestinos.

Um dos poucos pontos fora da curva, e que talvez seja o exemplo a ser seguido por outros times da região, é o Bahia. O trabalho do clube que leva o mesmo nome do estado de aliar torcedores ao time com várias iniciativas, desde ingressos populares até a utilização do seu estádio, a Arena Fonte Nova, como um campus universitário, gera uma força financeira relevante para manter o clube em pé. Junta-se a isso um excelente trabalho feito com recrutamento tanto no mercado quanto na base, e o time vira uma força dentro e fora do Nordeste.

Obviamente há de se reconhecer que nem todo clube consegue se engajar neste tipo de política, e o Bahia é um time de Série A desde 2011, passando por um rebaixamento apenas em 2014 e voltando já na temporada 2017. Mas é, sem dúvida alguma, uma maneira de se destacar e quem sabe até reabastecer a seleção nacional, cujo último filho da terra pernambucana que teve a honra de usar a sua camisa foi o meio-campista Hernanes, recifense ex-Santa Cruz que hoje atua pelo São Paulo.